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Vereador contrata firma que doou para campanha

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Vereador contrata firma que doou para campanha

Fabio Leite

Ao menos dois vereadores da capital gastaram a verba de gabinete da Câmara Municipal no mês de maio com empresas que aparecem na lista de doadores de suas campanhas eleitorais em 2008. A informação consta do cruzamento dos dados da prestação de contas mensal dos parlamentares com as doações registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A prática não é proibida por lei.

Segundo vice-presidente da Casa, o vereador Paulo Frange (PTB) pagou R$ 5,8 mil à LJM Gráfica e Editora no mês passado para serviço de impressão de folhetos. A mesma empresa, contudo, figura na lista de doadores da campanha do petebista. Foram R$ 1,5 mil em recursos estimados, ou seja, material feito gratuitamente pela gráfica ao então candidato, com data de 8 de setembro do ano passado.

Em abril, mês no qual começaram a ser divulgados o nome e o CNPJ das empresas contratadas pelos gabinetes, Frange já havia pago R$ 5,4 mil à LJM. Segundo o parlamentar, a LJM só foi contratada porque “tem o menor preço”, apesar de ele e o dono da empresa, Jorge Luis Fugazzotto Tadei, serem amigos de longa data.

Somos amigos há mais de 20 anos, quando ele pesava 30 quilos a menos e eu também. Ele doou por causa da nossa amizade, mas só fecho serviço com ele porque ele faz um preço muito acessível e com a urgência que a gente precisa”, afirmou Frange, que também contratou a firma do amigo para imprimir material de campanha. Foram R$ 32,3 mil ao todo. “É uma empresa grande, que não precisa do meu serviço para sobreviver.”

Outro que gastou a verba de gabinete com doador de campanha foi o vereador Marcelo Aguiar (PSC). Em maio, ele pagou R$ 7,2 mil à Ralig Gráfica e Editora, cujo dono, Raphael da Silva Bernardo, doou um cheque no valor de R$ 400 ao vereador em setembro de 2008. “Meu gabinete não contrata nenhum serviço sem antes fazer cotação. Se fizemos com ele foi porque naquele mês ele tinha o menor preço”, explica Aguiar, que disse não conhecer o doador. “Ele pode ter comprado convite de um jantar da campanha. Mas não é conhecido meu.”

O QUE É

A verba de gabinete, de R$ 14,8 mil ao mês, foi criada em 2007 para despesas de vereadores

O valor é depositado a cada 15 dias numa conta do gabinete mediante apresentação de notas. Desde maio, são divulgados nome e CNPJ dos fornecedores

JT 26/06

Escrito por Joildo Santos

26/06/2009 em 01:05

Publicado em Artigos